Uma mente presente é uma mente feliz

Em novembro de 2010, os psicólogos Matthew A. Killingsworth and Daniel T. Gilbert, da Universidade de Harvard, publicaram na revista Science os resultados de um estudo sobre a relação entre presença e felicidade. “A Wandering Mind Is an Unhappy Mind”, Uma Mente que Divaga é Uma Mente Infeliz, em tradução livre, mostrou que as pessoas que conseguem manter sua atenção focada em suas ações, sem divagar muito, tendem a ser mais felizes.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores criaram um aplicativo de iPhone, Track Your Hapiness, que pergunta de tempos em tempos, o que a pessoa está fazendo, pensando e sentindo. Foram registrados 250.000 apontamentos vindos de 2.250 voluntários, de 18 a 88 anos, 74% americanos. Resultado: durante 47% do tempo, eles viveram divagando, distraídos, dispersos. E tal distração coincidia com momentos de desânimo, aflição, insatisfação, ansiedade e sofrimento. Ou seja, as pessoas que ficaram mais presentes, que conseguiram alinhar seus pensamentos com suas ações ficaram mais satisfeitas do que aquelas que fizeram as suas tarefas diárias prestando atenção e pensando em outras coisas.

Quase uma década se passou, e o estudo continua muito atual. No artigo publicado na Science, os autores lembram que nós, seres humanos, diferente dos outros animais, temos uma capacidade cognitiva única e poderosa para concentrar nossa atenção em algo diferente do que está acontecendo no aqui e agora. Uma pessoa pode estar no seu escritório, na frente do computador, mas com o pensamento totalmente desconectado do que está fazendo naquele momento: pode estar relembrando os bons momentos de uma viagem, pensando se vai pedir sanduíche ou comida japonesa para o almoço, ou pode estar preocupada com as contas do mês.

Esta capacidade de concentrar a nossa atenção em algo diferente do presente é realmente surpreendente. E embora essa habilidade seja uma conquista evolutiva notável que permita às pessoas aprender, raciocinar e planejar, pode ter um custo emocional alto. O pensar  compulsivo pode levar à ansiedade, além de nos deixar sem controle de nossos pensamentos e sentimentos.

O estudo de Killingsworth e Gilbert descobriu que uma parte muito grande de nossos pensamentos – quase metade – não está relacionada ao que estamos fazendo. Nossa tendência é estar sempre em outro lugar, mesmo quando estamos fazendo atividades casuais e agradáveis, como assistir TV ou conversar. Embora muitas pessoas possam pensar que essa divagação mental pode nos levar a felicidade, os dados dizem o contrário. Assim como ensinam algumas tradições sábias como o budismo, ficamos mais felizes quando o pensamento e a ação estão alinhados, no presente, mesmo que esteja durante ações simples como lavar a louça.

A prática da atenção plena

Você provavelmente já ouviu falar em Mindfulness, a prática de atenção plena focada no presente. Estar aqui agora, com o seu corpo, mente, sentimentos e emoções inteiramente conectados. Neste tipo de meditação, os praticantes são treinados para colocar toda a sua atenção na ação que estiver realizando – e que talvez seja apenas respirar. A ideia é resistir à divagação excessiva da mente e permanecer no aqui agora. Essa prática simples pode trazer transformações profundas na qualidade de vida das pessoas.

É isso que pesquisadores de diversas áreas vêm comprovando. Desde o estudo de Gilbert e Killingsworth, há 10 anos, dezenas de outros estudos e centenas de artigos discutem a relação entre Mindfulness, presença e felicidade. Só para citar alguns, um estudo conduzido na Espanha, em 2017, mostrou que a prática de Mindfulness contribuiu significativamente para a melhora na percepção de felicidade, engajamento e performance dos funcionários de um grande hospital público. Em outra pesquisa, da Western Carolina University, o foco é o efeito da meditação na atenção plena e na felicidade.

Portanto, estar presente significa ter mais qualidade de vida. É claro que as pessoas podem ser mais felizes se elas têm dinheiro suficiente para cobrir suas necessidades ou se estão com um parceiro que amam em vez de sozinhas. Mas o que os estudos – e tradições milenares – indicam é que a sensação de felicidade pode ter mais a ver com a qualidade das nossas experiências momento a momento do que com as principais condições de vida.

A lição aqui não é que devemos parar de divagar completamente – afinal, nossa capacidade de revisitar o passado e imaginar o futuro é imensamente útil, e algum grau de devaneio provavelmente é inevitável. Mas, se conseguirmos ficar mais presentes, poderíamos melhorar substancialmente a qualidade de nossas vidas. Estaremos mais aptos a administrar e re-significar momentos mais desafiadores e ter ainda mais prazer nos bons momentos. Aproveite, então, para se perguntar: você está aqui, agora?

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